17 de out. de 2009

Até quando?

Tenho me feito essa pergunta. Até quando se deve insistir em uma relação?

"Até quando for bom para ambos", dizem alguns.

Mas, e quando a relação é boa, porém não tem futuro. Explico. Vocês se gostam, tem química, tem assunto, se divertem juntos, mas é só isso. " Viva o hoje, a vida é feita de momentos", diriam outros. Concordo. Mas até quando vale a pena satisfazer-se com uma felicidade momentânea?

Viver o agora é saber que a qualquer tempo um dos dois pode pular fora, arrumar um amor de verdade, casar. E o outro?

Se os sentimentos são iguais não há problema. Arrume suas coisas, fecha a conta, passa a régua e vê quanto deve.

Mas os sentimentos nem sempre são iguais. E então o outro sofre porque criou esperanças inexistentes.

8 de out. de 2009

Promessas de Casamento

No último fim de semana fui a um casamento! A cerimônia foi linda e eu, como sempre, me emocionei e fiquei imaginando se algum dia chegaria a minha vez. Sempre achei lindo o ritual de casamento, menos o sermão do padre: "Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?" Acho simples demais. Uma união feliz não se resume à fidelidade. Lendo umas coisas por aí achei um texto da incrível Martha Medeiros onde há dicas de sermões para os dias atuais. Aí estão:

- Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
- Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
- Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
- Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
- Promete se deixar conhecer?
- Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
- Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
- Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
- Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
- Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?

Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros.

1 de out. de 2009

Por que pensar naquela época me deixa tão triste? Será a saudade de uma felicidade passada? (...) Por quê? Será porque aquilo que foi belo se torna frágil para nós em retrospectiva, por esconder verdades sombrias? Por que a lembrança de anos felizes de casamento se estraga quando se revela que o outro tinha um amante durante todos aqueles anos? Será porque não se pode ser feliz em tal situação? Mas a pessoa era feliz! As vezes a lembrança não é fiel à felicidade quando o fim foi doloroso. Será porque a felicidade só vale quando permanece para sempre? Será porque só pode terminar dolorosamente o que foi doloroso de modo inconsciente e invisível? Mas o que é uma dor inconsciente e invisível?
O leitor - Bernhard Schlink
Parada no centro da cidade devido a greve dos bancários, um frio lascado...na calçada um menino, com não mais de 15 anos, se encolhe tentando aquecer-se. De camiseta e bermuda, no asfalto gelado, essa é uma tarefa quase impossível.
De repente, uma alma cai do céu, passa pelo garotinho, tira sua blusa e entrega ao ser contraído no cimento.
No meu rosto um sorriso desacreditado.